16 de dezembro de 2013

Inovação para o Ensino Médio

VIVIANE SENNA
Publicado:
Muitas escolas públicas hoje têm acesso à internet, mas o que se estuda nelas continua organizado da mesma forma mecânica e analógica do passado

O típico aluno do Ensino Médio brasileiro estuda da mesma forma que seus avós o faziam quando era preciso pedir à telefonista para fazer um interurbano. Muitas escolas públicas hoje têm acesso à internet, mas o que se estuda nelas continua organizado da mesma forma mecânica e analógica do passado. Não admira que este aluno, com celular no bolso e hiperconectado, veja certa inutilidade em ir às aulas. A maioria dos jovens ouvidos na pesquisa Cebrap/Fundação Victor Civita reclama que os conteúdos “ensinados” não fazem sentido na vida. É compreensível que isso, além do baixo preparo com que chegam do Ensino Fundamental, resulte no fato de só metade dos brasileiros de 15 a 17 anos estarem no Ensino Médio.
Uma boa dose de ousadia é necessária para enfrentarmos esse enorme desafio. Einstein disse que não podemos resolver nossos maiores problemas com o mesmo nível de pensamento com o qual os criamos. Encontramos essa corajosa disposição na rede estadual do Rio de Janeiro, que nos convidou a construir a quatro mãos uma proposta de modelo inovador para o Ensino Médio, sintonizado com as demandas do século XXI.
Neste novo modelo foram integradas as múltiplas competências a serem desenvolvidas, tanto as cognitivas quanto as socioemocionais, de modo que a escola possa capacitar o jovem para a matemática e a língua, e também para ter autonomia e iniciativa, trabalhar em equipe e se relacionar num mundo de diversidade, de problemas e oportunidades globais. As disciplinas foram desencaixotadas e integradas num currículo por áreas de conhecimento. A água pode ser estudada articulando-se os modos de pensar e os modelos explicativos da química, da biologia, ambiente, economia, geografia etc. Mais do que o conteúdo de cada disciplina, desenvolvem-se competências como a resolução de problemas e o pensamento crítico.
Essas mudanças só são possíveis porque os educadores da Secretaria estadual de Educação estão pensando num nível mais amplo. A rede vem adotando um modelo de gestão por resultados, com metas, avaliação externa e incentivos para os profissionais. Para apoiar as escolas, foi criado um comitê gestor e há um notável suporte à qualificação das equipes. A inovação pedagógica vem nesse contexto, começando com a definição de currículo mínimo para todas as disciplinas e avançando hoje, em parceria com o Instituto Ayrton Senna, na proposta de currículo integrado e desenvolvimento de múltiplas competências. É um esforço que une governo, sociedade e empresas, representadas aqui pela parceria com a P&G e a Citi Foundation, num novo paradigma ético de corresponsabilidade pela educação e pelo futuro das novas gerações.
Inovação implica erros e acertos, mas o balanço da secretaria é positivo. Em apenas dois anos, de 2009 a 2011, suas escolas saltaram de 26º para 15º lugar no ranking do Ideb no Ensino Médio. Essa melhora se deve tanto à proficiência em português e matemática como ao aumento da taxa de aprovação. E a aprovação maior se deve mais à redução no abandono do que na reprovação, o que sinaliza um interesse maior dos alunos pela escola. Num colégio que está implementando nossa proposta inovadora, já há mais de 300 alunos inscritos para as 120 vagas em 2014 — e 80 deles vêm de escolas particulares. Ou seja, os jovens estão gostando dessa ousadia.


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