25 de junho de 2012

Relatório do IBGE sobre desenvolvimento sustentável reitera avanços, mas também expõe as fragilidades socioambientais do país



EDITORIAIS, F. de São Paulo,25 de junho,2012
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Nem lá, nem cá

O relatório "Indicadores de Desenvolvimento Sustentável" (IDS 2012), divulgado pelo IBGE na semana da Rio+20, oferece um ambíguo panorama ambiental do Brasil em conexão com aspectos sociais, econômicos e institucionais.
Como se poderia prever, os 62 indicadores reunidos pelo instituto refletem uma imagem equívoca: avanços e fragilidades em áreas relevantes permitem interpretações contraditórias, a depender do ponto de vista do observador.
Pode-se, por exemplo, comemorar a queda de cerca de 77% no desflorestamento bruto anual da Amazônia Legal, depois de um ciclo de aumento praticamente contínuo, de 1997 a 2004.
A tendência, desde então, inverteu-se. Estimativas referentes ao ano passado indicam que a área desflorestada equivale a menos de um quarto da que foi registrada ao fim daquele período.
O Brasil, segundo o relatório, mantém intacta 80% da área originalmente recoberta pela floresta amazônica. Um quadro semelhante ao que se verifica no Pantanal, bioma mais preservado, com 85% de sua cobertura primitiva.
Não é demais lembrar, contudo, que 20% de destruição de floresta amazônica equivale a 800 mil km² -mais de duas vezes o território da Alemanha. Para uma devastação que se concentrou no período após 1970, é um dado portentoso.
A justificada importância que se confere à Amazônia acaba com frequência por obscurecer outras realidades. Por exemplo, a brutal eliminação de cerca de 90% da mata atlântica -com danos irreversíveis à sua alta biodiversidade.
O quadro também é de degradação em biomas importantes, mas nem sempre valorizados, como o cerrado (49% de destruição), a caatinga (54%) e o pampa (54%). Mata atlântica e cerrado, pela alta concentração de espécies e pelo elevado grau de ameaça, são dados como biomas de grande interesse para conservação ("hot spots").
Em outra frente, a do acesso da população às redes de esgoto e serviços de coleta de lixo, há decerto melhorias, mas a situação permanece muito aquém do desejável. A precariedade do saneamento básico continua a ser um dos maiores problemas brasileiros, com reflexos negativos na saúde da população, em especial de baixa renda, e na oferta de recursos hídricos para uso em áreas metropolitanas.
As deficiências no tratamento de esgotos coletados (pouco menos de 70% são tratados, segundo dados disponíveis) contribuem para a situação tenebrosa de rios em áreas urbanas, como o Tietê, em São Paulo, e o Iguaçu, em Curitiba.
Se é verdade que o Brasil não figura entre os maiores destruidores da natureza, são evidentes as agressões já consumadas e as fragilidades por sanar -situação que exige do governo mais realismo e menos ufanismo ambiental.

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