10 de abril de 2010

A Gazeta - ES

Violência e educação

Entre 1997 e 2007, 512,2 mil pessoas morreram vítimas de homicídio no Brasil. O dado, do Ministério da Saúde, está no recém-lançado Mapa da Violência 2010 - Anatomia dos Homicídios no Brasil, do pesquisador Julio Jacobo Waiselfisz. A obra é amplo painel da situação e da evolução dos homicídios registrados na década 1997-2007 e, por isso mesmo, oferece numerosas possibilidades de abordagem. Uma delas tem especial relevância em vista da contundência dos dados: a juventude.

Os maiores índices de homicídio no Brasil concentram-se na faixa de 15 a 24 anos de idade (o pico está entre os 20 e os 21 anos).

Em 1980, as taxas de homicídio de não jovens (pessoas fora dessa faixa etária) foram de 21,1 a cada 100 mil; já em 2007, essa taxa caiu para 19,8 em 100 mil. Entre os jovens, se a taxa de homicídios, em 1980, foi de 30 em 100 mil jovens; em 2007, ela saltou para 50,1.

Com base no Mapa, portanto, pode-se afirmar que, a partir da década de 1980, o aumento dos homicídios no país deve-se ao crescimento dos homicídios entre jovens.

O que explicaria, em países como o Brasil, taxas tão elevadas de homicídio juvenil? Segundo o estudo de Waiselfisz, indicadores referentes à concentração da renda explicam melhor os homicídios de jovens (50,7%) do que os homicídios de não jovens (45,2%). Mais do que a pobreza absoluta ou generalizada, é a pobreza dentro da riqueza, os contrastes entre ambas, que teria maior poder de determinação dos níveis de homicídio de um país.O Mapa da Violência também aponta a estreita relação entre concentração de renda e educação. Alguns estudos dão conta de que entre 30% e 50% das disparidades de renda têm origem nas desigualdades educacionais. Por conseguinte, se aproximadamente 50% dos índices de homicídio explica-se pela concentração de renda, e se essa concentração no Brasil tem sua principal fonte nas diferenças educacionais de sua população, a saída para o fim da escalada homicida, sobretudo entre os jovens brasileiros, está na educação de qualidade para todos ao longo de toda a vida.

É preciso, portanto, romper o círculo vicioso - pobreza, educação ausente ou precária, violência, morte - e instaurar um círculo virtuoso em seu lugar: educação de qualidade, aumento da renda, redução da violência, vida longa e saudável aos jovens do Brasil.

Jorge Werthein é doutor em Educação pela Stanford University, ex-representante da Unesco no Brasil e vice-presidente da Sangari Brasil



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