19 de setembro de 2017

Aniversário de Paulo Freire: 5 livros imperdíveis indicados por professores


O pedagogo faria 96 anos se estivesse vivo. Em sua homenagem, educadores falam sobre a obra do brasileiro
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Por: Caroline Monteiro
Arte: Alice Vasconcellos
Se estivesse vivo, o pedagogo e filósofo Paulo Freire completaria 96 anos nesta terça-feira, 19 de setembro. Reconhecido não só no Brasil, mas também no exterior, o Patrono da Educação Brasileira é responsável pelo processo de alfabetização que incentiva o uso do vocabulário e conhecimento dos alunos, principalmente jovens e adultos, na aprendizagem da leitura e escrita. Testada na cidade de Angicos (RN) em 1963, a atividade não utilizava cartilhas e alfabetizou 300 catadores de cana em 40 horas de aula distribuídas em 45 dias. Na época, 40% da população brasileira era analfabeta.
No ano seguinte, Paulo Freire foi preso e exilado pela ditadura. Ficou cinco anos no Chile, onde desenvolveu suas teses e trabalhos em programas de Educação de jovens e adultos. O educador viveu também na Inglaterra, na Suíça e em colônias portuguesas da África, como Guiné-Bissau e Moçambique. Foi nesse período de 16 anos fora do Brasil que Freire escreveu várias de suas obras.
Morto em 1997, seu trabalho continua reconhecido por professores e pedagogos brasileiros e estrangeiros, mas o Freire é também criticado por ter ideias de esquerda.
Em comemoração ao aniversário do educador, pedimos a cinco professores que indicassem um livro importante de sua obra. Confira:
"Educação como Prática de Liberdade" (1967)Indicado por João Paulo Pereira de Araújo, professor de História nas EEs Dr. Pompílio Guimarães e Professor Botelho Reis e no Colégio Equipe, em Leopoldina (MG)
"Fala sobre um método de alfabetização de adultos, mas para isso, Freire faz um passeio pelo passado e conta de suas experiências. O livro me impactou porque, logo no início, coloca para reflexão a importância da compreensão em torno do que é existir. E nesse momento ele explica que existir é muito mais do que apenas estar no mundo, pelo contrário, é preciso participar dele. O pedagogo propõe que é necessário dialogar e se comunicar. Isso é muito importante, por exemplo, quando pensamos na profissão do professor, no existir dentro da sala de aula. De ter o olhar social e compreender que seu papel vai muito além do que se imagina. No livro, Freire apresenta uma trajetória da construção do país e ressalta a ausência do povo nas grandes decisões e faz uma crítica à Educação tradicional, falando da massificação, e das possibilidades que a Educação tem de libertar o homem. Quando fala da sua experiência no ensino de adultos, Freire nos mostra o quanto é possível transformar a nossa realidade."
"Pedagogia do Oprimido" (1968)Indicado por Mara Mansani, professora alfabetizadora na EE Professora Laila Galep Sacker, em Sorocaba (SP), e blogueira de Nova Escola
"Quando o li esse livro pela primeira vez, chorei, pois aquelas palavras me falaram fundo. Refleti, me inquietei e me questionei. Que Educação eu vinha fazendo? Minha prática educativa contribuía na opressão, na formação de mais oprimidos e de opressores? Descobri, então, que eu estava acomodada em uma situação de segurança, sem ação. Mas eu não queria mais isso nem para mim, nem para meus alunos. E assim, depois dessa leitura, me esforço sempre para construir para eles e com eles, meus alunos, uma Educação de qualidade, onde juntos, mediatizados pelo mundo, possamos nos libertar, com diálogo, com amor, criticidade, sendo sujeitos ativos na construção da nossa história. De tempos em tempos, volto a ler Paulo Freire para acender a chama da inquietude, da reflexão, da ação e da esperança."
"A importância do ato ao ler" (1981)Indicado por Diego Durães, professor de Língua Portuguesa no Sesi 284, em Presidente Prudente (SP)
"Ao falar de Língua Portuguesa, a obra me faz refletir sobre as possibilidades de se trabalhar com a leitura na sala de aula, bem como da necessidade de um olhar mais próximo das práticas sociais. O livro apresenta uma intensa discussão sobre as necessidades de se ensinar a ler na escola  ler com sentido, com referências, com contextualização, e sobretudo, ler para conhecer e mudar o mundo! Conhecer e reconhecer a obra de Paulo Freire é necessário para a minha prática porque considero que o ensino de Língua Portuguesa contempla, como base em diversos temas e conteúdos, o ato de ler."
"Professora sim, tia não" (1993)Indicado por Sunamita Silva de Oliveira, pedagoga na Escola Maria Alice da Veiga Pessoa, em Gravatá (PE)
"A obra de Freire, como um todo, é impactante e indispensável. Não consigo desmembrar um livro do outro. Todos se complementam, mas 'Professora sim, tia não' faz uma crítica a forma como, a partir de uma nomenclatura, se compromete a autoridade e se mistura e confunde o papel do professor em sala. Visão patriarcal, paternalista, com um protecionismo exacerbado. A tia é aquela que permite, brinca, diverte e esporadicamente visita em um passeio. A obra de Freire me incentiva a ser uma combatente. Luto, para mim, é de fato, verbo!"
"Pedagogia da Autonomia" (1996)Indicado por Fabio Augusto Machado, coordenador pedagógico da EMEF Recanto Dos Humildes, São Paulo, e professor de Geografia
"É um livro que considero simples, mas de ideias profundas. Quando ainda cursava a licenciatura em Geografia, fui impactado com a coragem e a ousadia da obra. Freire tem a audácia de definir o que vem a ser o 'pensar certo' ou o 'pensar errado' no fazer pedagógico. Não há neutralidade. Os 'saberes necessários', sobre os quais Freire discorre da primeira à última página, são a própria antítese do projeto Escola sem Partido. Aliás, a superficialidade na prática pedagógica é condenada por ele no livro. É o 'pensar errado'. Até porque, para ele, 'ensinar exige compreender que a Educação é uma forma de intervenção no mundo'. Em sua obra, ele destaca que 'ensinar exige a convicção de que mudar é possível'. É preciso constatar, não apenas para saber como é, mas para transformar. A 'Pedagogia da Autonomia' mudou a minha vida, fez com que eu me apaixonasse pela Educação, e gerou consequências na vida dos meus alunos. O projeto 'A construção da Identidade', um dos vencedores do Prêmio Educador Nota 10 2016, é uma conseqüência direta dessa obra."

Brasil paga menos a professor que México, Colômbia e Costa Rica


15 de Setembro de 2017, Nova Escola, Caroline Monteiro  
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Estudo mostra como rendimentos são mais baixos que em outros países de mesmo nível econômico
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Por: Caroline Monteiro
Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
O mais respeitado relatório mundial sobre a qualidade da Educação não traz boas notícias sobre a carreira docente no Brasil. Em comparação com os países desenvolvidos, nossos professores seguem ganhando bem menos. Nenhuma novidade. Mas o dado mais dramático, quando o assunto é salário, é que estamos atrás até das nações com perfil socioeconômico semelhante.
É o que mostra a edição 2017 do Education at a Glance, estudo comparativo da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), entidade formada por 35 países. O relatório permite cruzar os dados do Brasil com economias desenvolvidas, maioria na OCDE, e alguns países parecidos conosco, como México, Colômbia e Costa Rica, que possuem PIB per capita e Índice de Desenvolvimento Humano próximos ao do Brasil.
Os salários dos professores brasileiros está atrás dos colegas desses três países. Por aqui, um professor da Educação Básica começa a carreira recebendo o equivalente a 13 mil dólares por ano, valor já ajustado para o poder de compra de cada país – assim dá para comparar moedas e custo de vida distintos. Na Colômbia, um docente iniciante ganha 14,2 mil dólares por ano. No México, 17,2 mil. E na Costa Rica, 24,2 mil, quase o dobro dos brasileiros.
Quando a comparação é com as nações desenvolvidas, a distância aumenta. Na média das nações da OCDE, o salário inicial é de 30 mil dólares anuais.
Alunos por classe: houve melhora, mas turmas seguem cheias
As condições de trabalho também seguem complicadas, aponta a OCDE. Quanto à quantidade de professores por uma turma, a média em nosso país é de 1 por classe no Fundamental 1 e 1,2 professor por sala no Fundamental 2. Nos países da OCDE, o número é de 1,5 e 2, respectivamente. Segundo o documento, esses dados sugerem que os professores brasileiros “têm menos tempo para se dedicar às atividades de preparação de aulas e de avaliações e para auxiliar outros professores ou alunos que precisam de reforço”.
No critério alunos por classe, o Brasil se sai um pouco melhor. Entre 2005 e 2015, o país apresentou algumas das maiores taxas de redução: -8% no Fundamental 1 e -15% no Fundamental 2. Mas as classes ainda estão cheias, na avaliação da OCDE. Por aqui, cada profissional dá aula para turmas de, em média, 23 alunos no Fund 1 e 27 no Fund 2. Números parecidos com os de México (22 e 28), Colômbia (23 e 29) e um pouco distantes da Costa Rica (15 e 27). Também estão longe os valores de aluno por classe dos países membros da OCDE: 21 no Fundamental 1 e 23 no Fundamental 2.
Aumentar o piso é só o primeiro passo
Como sair dessa incômoda situação? Os especialistas ouvidos por NOVA ESCOLA afirmam que melhorar o salário dos professores é a principal medida de valorização da carreira docente. Mas não é a única.
Para Daniel Cara, coordenador geral da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, é preciso uma ação sistêmica de investimento no professor. “O investimento precisar ajudar a aprimorar as condições de trabalho, com melhoria da infraestrutura escolar e ações consistentes de formação continuada, por exemplo”.
Segundo Ricardo Henriques, superintendente executivo do Instituto Unibanco, é preciso combinar investimento com maior eficiência na administração. “Para isso, é fundamental incentivar a integração entre os níveis de gestão: rede, secretarias, diretorias regionais e escolas”, exemplifica.
Profissão de gente jovem
Pedro Ribas/ ANPr
Segundo o estudo, outra característica particular da Educação brasileira é a idade dos professores. Nossos educadores têm em média 40 anos, enquanto que, nos países membros da OCDE, esse número fica entre 44 e 45 anos. No Brasil, 80% de todos os educadores têm menos de 50 anos, enquanto a média internacional é de 65%. Na análise do relatório, esse dado indica que o Brasil ainda enfrenta o desafio de reter indivíduos altamente qualificados e de fornecer oportunidades de desenvolvimento profissional, para que eles continuem na carreira. A carreira docente, apesar de atrair muitos jovens, ainda não seria a primeira opção.
O relatório da OCDE também indica uma tendência importante: a geração de jovens professores têm influenciado a equidade de gênero na profissão. As mulheres ainda são a maioria na Educação Básica, mas a porcentagem de homens é consideravelmente maior entre os educadores com menos de 30 anos (33%) do que entre os com mais de 50 (25%).

Só 31 escolas públicas com alunos de baixa renda mantêm excelência no ensino desde 2011, diz pesquisa



Por Vanessa Fajardo, G1

Só 31 escolas públicas brasileiras que atendem alunos de baixo nível socioeconômico do ciclo 1 do ensino fundamental conseguiram manter a excelência do ensino ao longo de três edições consecutivas de uma pesquisa feita pela Fundação Lemann, Instituto Credit Suisse Hedging-Griffo e Itaú BBA, a partir de dados da Prova Brasil. O resultado da última análise, referente a 2015, foi divulgado nesta terça-feira (19).
No primeiro ano da pesquisa, em 2011, um grupo de 215 escolas foram consideradas excelentes. Elas estão dentro de um universo de 15 mil escolas que atendem alunos de 1º ao 5º ano do ensino fundamental. Destas 215, só 54 se mantiveram neste ano, e apenas 31 apareceram nas três pesquisas (dos anos de 2011, 2013 e 2015). Só quatro delas são da rede estadual, o restante é municipal (veja a lista abaixo).
“É um número baixo, gostaríamos de ter muito mais escolas. Poucas conseguem se manter no patamar que julgamos adequado. Não sabemos se é o perfil do aluno que muda ou se é a gestão, porque a régua não é rigorosa. Houve uma queda no Ideb e estamos tentamos entender o motivo”, diz Ernesto Martins Faria, coordenador do estudo.
O estudo aponta que, entre 2011 e 2015, mais de 80% das escolas que perderam a condição de excelência tiveram também uma diminuição no Ideb. O segundo critério que mais contribuiu para a queda de escolas no topo da qualidade foi o desempenho insuficiente em matemática, o que ocorreu com 63% dos alunos. Outros 35% tiveram desempenho insuficiente em língua portuguesa.
O mapeamento tem como base a Prova Brasil, um exame que avalia os conhecimentos dos alunos em matemática e língua portuguesa. O resultado do desempenho é um dos componentes do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb).

Anos finais do fundamental

O número de escolas excelentes cai muito quando se avalia os anos finais do segundo ciclo do ensino médio. Apenas dez bateram os critérios da pesquisa em 2013 e 2015 (veja a lista abaixo). Nesta fase, que compreende do 6º ao 9º ano do ensino fundamental, o Brasil também não alcançou as metas do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb).
Em 2013, o total de 235 escolas foi classificado como excelente, mas em 2015 apenas 61 dessas continuaram no mesmo patamar de qualidade.
“No fundamental 2 os critérios foram menos exigentes. Acho que é escasso o número de escolas com desempenho satisfatório. Não sabemos se o problema é a formação de professor, se é a distância entre aluno ou professor”, afirma Ernesto Martins Faria.
Um dado alarmante é que em muitos estados das regiões Norte e do Nordeste não há uma escola sequer com bons resultados nos anos finais do ensino fundamental. “Isso mostra que, embora algumas regiões sejam destaque [Ceará, por exemplo], ainda há muita desigualdade no país. Em algumas regiões não há nenhuma escola com resultado aceitável que seja referência e sirva de inspiração ao entorno”, diz Ernesto.

Ceará tem maior número de escolas contempladas

O mapeamento aponta que o estado do Ceará tem o maior número de escolas de baixa renda classificadas como excelentes. São 84 unidades que atendem alunos dos anos iniciais, com destaque para a cidade de Sobral, onde estão 19 escolas. Outras 31 escolas cearenses para estudantes do segundo ciclo do fundamental de baixa renda estão na lista de excelência – seis delas, em Sobral.
Para os anos iniciais do ensino fundamental, independente do nível socioeconômico, outros três estados se destacam: São Paulo, Paraná e Minas Gerais. São Paulo agregra também o maior número de escolas excelentes com alunos de alta renda (21).
Em contrapartida, em estados como Amapá, Bahia, Pará, Rio Grande do Norte, Roraima e Sergipe não foram identificados nenhum bom exemplo de escola de anos iniciais, independepente da condição socioeconômica dos alunos. Nos anos finais, no Acre, no Alagoas, no Amapá, no Mato Grosso, na Paraíba, no Rio Grande do Norte, na Roraima, em Rondônia, em Sergipe e no Tocantins também não foram classificadas escolas exemplares.

Escolas que atendem aos critérios 'excelência com equidade' em 2011, 2013 e 2015

ANOS INICIAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL (31 escolas)

Escola - estado - cidade - rede
  • Professor Nazaré Varela - Amazonas - Carauari - estadual
  • Dinorah Ramos - Ceará - Sobral - municipal
  • Mocinha Rodrigues - Ceará - Sobral - municipal
  • Raimundo Pimentel Gomes - Ceará - Sobral - municipal
  • Emeferico Veríssimo - Mato Grosso - Lucas do Rio Verde - municipal
  • Couto de Magalhães - Goiás - Corumbaíba - municipal
  • Evangélica Monte Moria - Goiás - Goianésia - municipal
  • Pingo de Gente polo - Mato Grosso do Sul - Nova Andradina - municipal
  • Elisa Rabelo de Mesquista - Minas Gerais - Campo do Meio - municipal
  • João Narciso - Minas Gerais - Congonhas - municipal
  • Paulo Barbosa - Minas Gerais - Formiga - municipal
  • Padre Waldemar Antônio de Pádua Teixeira - Minas Gerais - Itaúna - municipal
  • José Teotônio de Castro - Minas Gerais - Lagoa da Prata - estadual
  • Frei Orlando - Minas Gerais - Morada Nova de Minas - estadual
  • Monsenhor Sebastião Vieira - Minas Gerais - Paraisópolis - municipal
  • Frei Leopoldo - Minas Gerais - Patos de Minas - municipal
  • Professor José Luiz de Araújo - Minas Gerais - Rio Paranaíba - estadual
  • Iracy José Ferreira - Minas Gerais - São Gotardo - municipal
  • Professora Maria Aparecida Passos - Minas Gerais - São José da Barra - municipal
  • Augusto Werner - Paraná - Foz do Iguaçu - municipal
  • Duque de Caxias - Paraná - Foz do Iguaçu - municipal
  • Erico Veríssimo - Paraná - Foz do Iguaçu - municipal
  • Monteiro Lobato - Paraná - Foz do Iguaçu - municipal
  • Olavo Bilac - Paraná - Foz do Iguaçu - municipal
  • Osvaldo Cruz - Paraná - Foz do Iguaçu - municipal
  • Vinicius de Moraes - Paraná - Foz do Iguaçu - municipal
  • Idalina P Bonatto - Paraná - Medianeira - municipal
  • São Francisco de Assis - Paraná - Siqueira Campos - municipal
  • Presidente Tancredo Neves - Pernambuco - Tupanatinga - municipal
  • Tobias Barreto - Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - municipal
  • Professor Jair Luiz da Silva - São Paulo - Junqueirópolis - municipal

Escolas que atendem aos critérios 'excelência com equidade' em 2013 e 2015

ANOS FINAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL (10 escolas)

Escola - estado - cidade - rede
  • Aquiles Peres Mota - Ceará - Carnaubal - municipal
  • Inácio de Barros Neto - Ceará - Russas - municipal
  • Francisco Monte - Ceará - Sobral - municipal
  • Armando Ziller - Minas Gerais - Belo Horizonte - municipal
  • Eduardo Senedese - Minas Gerais - Juruaia - estadual
  • João Nunes Ferreira - Minas Gerais - Lambari - estadual
  • Povoado Lagoa de Baixo - Minas Gerais - Rubelita - estadual
  • Rodrigues Alves - Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - municipal
  • Rotary - Rio Grande do Norte - Mossoró - municipal
  • Professora Hebe de Almeida Leite Cardoso - São Paulo - Novo Horizonte - municipal

In Turkey’s New Curriculum, Ataturk, Darwin and Jihad Get Face-Lifts

The New York Times, 

When high school students in Turkey arrive for the fall term, Charles Darwin will be conspicuously absent from biology classes.
In elementary school religion classes, teachers will promote the nonviolent meaning of the word jihad — “to struggle” — as “love of homeland.”
And, perhaps most significantly in a country where the image of Mustafa Kemal Ataturk, who created the modern secular Turkish state in 1923, is plastered everywhere, references in schools to Ataturk are expected to be downgraded.
In a majority Muslim country that has long been polarized between the religious majority and a minority of secular elites, critics said the overhaul of more than 170 curriculum topics by the government of President Recep Tayyip Erdogan represented a frontal assault on the country’s already fragile tradition of secularism.
The changes come at a tense time for relations between Turkey and its Western allies following Mr. Erdogan’s crackdown on his opponents in the aftermath of last year’s failed military coup, which the new curriculum lauds as “a legendary, heroic story.”
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“This is no less than a revolution to alter public education and assure that a conservative, religious view of the world prevails,” said Soner Cagaptay, director of the Turkish Research Program at the Washington Institute for Near East Policy and author of “The New Sultan: Erdogan and the Crisis of Modern Turkey.”
“The reason Turkey is not Pakistan is that generations have been exposed to a secular public education,” Mr. Cagaptay said. “But for Erdogan, who comes from the other side of the tracks and feels religion was marginalized for decades, this is his revenge.”
Politicians across the political spectrum criticized the changes. When they were first highlighted this summer, a leading teachers union called them an effort to stymie the raising of “generations who ask questions.”
Turkey’s education system, which has long provided a secular education to religious and secular students alike, has come under scrutiny by the government following the attempted coup on July 15, 2016, culminating in the firing of more than 33,000 teachers and the closing of scores of schools. At the same time, the ruling Islamic-inspired Justice and Development Party has significantly increased the number of religious schools, known as imam hatip schools, and promoted Mr. Erdogan’s professed goal of raising a “pious generation” of Turks.
Following the new changes, evolutionary concepts like natural selection will be removed from the high school curriculum, along with any mention of Darwin, the English naturalist whose theory has become a mainstay of biology classes around the world.
The education minister, Ismet Yilmaz, has praised the overhaul of the country’s curriculum as a necessary corrective that emphasizes a values-based education. Evolutionary biology, he had insisted, is too difficult for high schoolers to grasp and will be taught instead at the university level.
Moreover, Mr. Erdogan’s supporters note that debates over the teaching of evolution are hardly unique to Turkey, and have raged in other countries, including the United States. The theory of evolution is rejected by both Christian and Muslim creationists alike, who credit God with creating the planet and its creatures. Many religious conservatives in Turkey dismiss evolution as a reckless and unproven theory.
Evolution aside, the new curriculum has deeply angered secularists who say it underplays Ataturk’s contribution to modern Turkey. At the primary school level, classes are expected to truncate the teaching of his leadership role during, among other events, Turkey’s war of independence, out of which the modern Turkish republic was created in 1923 from the ashes of the Ottoman Empire.
The curriculum is also notable for whom it includes among Turkey’s enemies, including the Kurdish Workers’ Party, or PKK, long branded a terrorist group by Turkey and the United States; the Islamic State; and Fethullah Gulen, an influential United States-based cleric whose supporters run a global network of schools which provide a secular education. Mr. Erdogan blamed Mr. Gulen for last year’s attempted coup.
Mr. Yilmaz said in a recent news conference that it was essential to educate the new generation of Turks about the perils of Mr. Gulen’s movement.
Among the curriculum’s changes, the notion of jihad has garnered particular attention. Defenders of teaching jihad as a love of homeland argue that it is a spiritual concept that has been erroneously co-opted by extremists and wrongly associated with terrorism, and that progressive Muslim groups have been using more peaceful interpretations of the concept for centuries.
But Mr. Cagaptay rejected that view, saying that while “jihad” had multiple meanings in Arabic, in the Turkish language it translated to violent and political struggle. Rebranding “jihad” in Turkey, he argued, was perilous given its connotation in a surrounding region where it was being used for violent ends. “Turkey’s neighbors are not Luxembourg or Belgium but the Islamic State and Al Qaeda, so it is risky to promote jihad because of the region Turkey is in and the rising jihadist recruitment trend globally.”
While critics have challenged the latest changes to the curriculum, a report last year by Impact-se, a Jerusalem-based research institute that analyzed 117 school text books in Turkey, concluded that the curriculum taught human rights, and was open to Darwin, gender equality, the protection of the environment, compassion toward AIDS patients and openness toward various lifestyles. “Turkish school students are currently taught to value Western civilization,” the report said.
But Hay Eytan Cohen Yanarocak, the author of the report, said the new changes showed, “Turkey is changing its direction and is no longer, by default, a Western state.”
Education is just the latest area where the simmering culture war between Islam and secularism in Turkey has been laid bare.
When Mr. Erdogan came to power in 2002, he vowed to improve the status of the religious majority of Turkey, who had been suppressed by the ruling secular elite, and the prohibition of head scarves at universities was lifted in 2011. That was extended to state offices in 2013, and this year, the scrapping of the ban was extended to the army, long seen as the final safeguard of the country’s vaunted secularism.