10 de dezembro de 2016

Educação, ciéncia e inovação do Futuro


Envio o link do Painel "Educação, Ciência e Inovação do Futuro" no Congresso do Futuro realizado hoje no Senado Federal.

Participaram  Cristovam Buarque (professor e senador e assinante do PDS), Kiahore Singh, relator Especial das Nações Unidas para o Direito a Educação e Rafael Lucchesi, diretor-geral do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial – Senai e Isaac Roitman (editor do PDS).

A participação de Cristovam Buarque foi iniciada em 03:20

Minha participação é iniciada em 59:15.

https://www.youtube.com/watch?v=fA_vUZCdgg4&list=PLLLnytnGoqiYVYRWek8OIOVLzoCgnMUBP


Grande abraço,

O edior

Pisa: o diagnóstico de um apagão


Treze milhões de adultos analfabetos, 33 milhões de adultos analfabetos funcionais – que reconhecem números e letras, mas não as interpretam – e 2,8 milhões de crianças entre 4 e 17 anos fora da escola. São tantos os dados alarmantes na educação brasileira que o país parece ter se acostumado ao espanto. Desperdício de potenciais, geração perdida e uma série de outros diagnósticos que deveriam ser encarados com seriedade tornaram-se, por tanta repetição, chavões da área. E, como ocorre com todos os chavões, deixaram de ser encarados com perplexidade. 
Na última terça-feira, dia 6, a divulgação do ranking educacional Pisa (sigla em inglês para Programa Internacional de Avaliação de Estudantes) pode ter rompido esse estado de torpor. Pela primeira vez na história desse levantamento, o Brasil regrediu. Nossa nota em matemática recuou a níveis similares ao do ano 2006, período em que investíamos quase um terço do que aplicamos hoje na educação. Em ciências e leitura, as outras duas áreas avaliadas pelo Pisa, ficamos estagnados nos mesmos resultados de 2012, distantes  cerca de 90 pontos da nota média do levantamento. “É a prova do fracasso retumbante e inaceitável de nossa Educação”, disse o ministro da Educação, Mendonça Filho, a ÉPOCA.
O Pisa é uma avaliação trienal feita pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) entre dezenas de países de todo o mundo. Nesta edição, foram 70 nações. Desde 2000, quando seu primeiro estudo veio a público, o ranking consolidou-se como o mais importante termômetro dos níveis educacionais de seus países. O Pisa avalia o conhecimento de crianças entre 15 e 16 anos sobre matemática, leitura e ciências. No ano passado, 23.141 estudantes brasileiros de 841 escolas (públicas e particulares) encararam dois dias de provas em todos os estados do país para a formulação do diagnóstico revelado agora. 

A avaliação divide os resultados em seis níveis de proficiência. Cada um desses níveis indica as habilidades alcançadas pela criança. Mais de 80% dos estudantes brasileiros chegam, no máximo, ao nível dois dessa escala em ciências e matemática. Isso significa que dominam apenas a lógica básica dessas áreas. Em matemática, esse desempenho pífio tem um agravante. Mais de 70% dos alunos brasileiros não dominam os rudimentos da lógica. Em leitura, o Pisa indica que metade dos alunos brasileiros de 15 e 16 anos não interpreta o que lê. Na comparação com estudantes da mesma idade de outros países, os brasileiros têm um desempenho equivalente ao de alunos com dois ou três anos a menos de estudos.
A partir da observação do tipo de questão que os estudantes mais acertaram e mais erraram, um padrão emerge das três avaliações. Os brasileiros demonstraram dificuldade em interpretar dados e em explicar como aplicar os conhecimentos teóricos a situações práticas em questões dissertativas. O maior número de acertos ficou com as questões relativas a conteúdos teóricos de múltipla escolha. Na prática, isso significa que a maior lacuna no aprendizado dos brasileiros está na capacidade de análise e de estabelecer relações tanto entre fatos do cotidiano e teoria quanto em enxergar como as diferentes áreas do conhecimento se relacionam.
O Brasil está entre os cinco países que investem a maior parcela do PIB no mundo em educação. Em 2014 (último dado atualizado) foram 6% do PIB para a área, R$ 135 bilhões. Esse montante costuma impressionar. Porém, o investimento que faz diferença na qualidade da educação é o valor aplicado por aluno. Nesse quesito, o Brasil investe apenas 43% do valor gasto, em média, pelos países da OCDE. Os Estados Unidos gastam quatro vezes mais do que o Brasil por estudante do ensino médio. A Rússia, o dobro. Essa disparidade sempre serviu como escudo para justificar a má posição do Brasil no ranking do Pisa. Neste ano, perdemos o direito de usar essa desculpa. Albânia, Líbano, Colômbia e México, nações com investimento por aluno menor do que o brasileiro, nos ultrapassaram. “O modelo está esgotado. Não avançaremos mais sem preparar nossos professores”, diz Claudia Costin, professora da Universidade Harvard e ex-secretária de Educação do Rio de Janeiro.
Leia mais sobre o Pisa aqui:
Esses números terão um impacto negativo direto nos adultos que essas crianças virarão. Traduzir notas de testes educacionais em dados econômicos é uma maneira eficiente de mostrar qual pode ser essa consequência. Uma pesquisa recente, feita em parceria entre a OCDE e a Fundação ElDiálogo, projeta que o ritmo de crescimento do  PIB do Brasil se acelerará 16% ao ano a partir de 2030 se cada jovem de 15 anos atingir a pontuação média da OCDE (420 pontos) na escala do Pisa. Por outro lado, se, no mesmo período, tivermos todos os alunos de 15 anos no ensino médio com o baixo desempenho de hoje, esse ritmo de crescimento se acelerará 3,5% ao ano. O estudo foi concluído antes da divulgação dos últimos resultados do Pisa. Até então, no ritmo de crescimento de 3 a 5 pontos a cada avaliação trienal, o Brasil levaria 27 anos para alcançar a média da OCDE em matemática. Com a regressão de 12 pontos, revelada agora,  essa estimativa aumentou para 33 anos. “Não há possibilidade de desenvolvimento econômico sustentável sem o aumento da qualidade da educação”, diz Ariel Fiszbein, diretor da ElDiálogo e um dos responsáveis pelo estudo.
Outro estudo que atesta a falta de qualidade da educação brasileira foi encabeçado pelo economista Ricardo Paes de Barros, da Cátedra do Instituto Ayrton Senna no Insper, escola de negócios de São Paulo. A análise mostra que cada ano a mais de escolaridade no Chile, entre 1980 e 2010, proporcionou um ganho extra de US$ 3 mil por trabalhador. No Brasil, esse aumento foi de apenas US$ 200.  Os brasileiros têm capacidade produtiva bem inferior à de chilenos com o mesmo número de anos de escola. A qualidade da educação desses países é a raiz dessa diferença.
Os dados são claros. Não há pacote de ajuste fiscal ou teto de gastos capaz de colocar o Brasil nos eixos do desenvolvimento sem uma educação de qualidade.

9 de dezembro de 2016

Three Thoughts on the Ugly New PISA Results – by Frederick Hess


Posted: 08 Dec 2016 09:21 PM PST
On Tuesday, the 2015 Program for International Student Assessment (PISA) results were released. The news wasn’t good. PISA is administered every three years to a sample of 15-year-olds in education systems across the globe (73 nations, states, and systems participated in 2015). The tests gauge performance in math, reading, and science. What do the results show?
ednext-blog-dec16-hess-pisaCompared to the international averages, U.S. performance was middling in science, poor in math, and above-average in reading. U.S. math performance dropped precipitously since 2012, after dropping noticeably from 2009 to 2012. Peggy Carr, acting commissioner of the National Center for Education Statistics (NCES), drily noted that, compared to the international average, “we also have a higher percentage of students who score in the lowest performance levels … and a lower percentage of top math performers.” U.S. performance in reading and science has also declined (slightly but steadily) since 2009, by three points in reading and six points in science.
You can peruse the NCES report for yourself here, if so inclined. I don’t want to belabor things, so I’ll just offer three reflections.
One, I’m generally not a fan of using test results to assess the validity of a presidential administration’s educational efforts. Washington shenanigans are supposed to be peripheral to what happens in America’s schools; and, thankfully, that’s mostly the case. It’s hard to forget, however, that the Obama administration was cherry-picking test results to justify its machinations—back when it could find results to pick. In 2013, Secretary of Education Arne Duncan pointed to modest gains on the National Assessment of Educational Progress (NAEP) as evidence that the Common Core was working. (The argument got tendentious, especially when Duncan started selectively choosing state-level scores to make his case, but we needn’t rehash that here.) When I published a scathing assessment of the Obama-Duncan legacy in fall 2015, rebuttals mostly asserted that scores had gone up on Obama’s watch. Well, just months after I wrote that piece, the new NAEP results showed unprecedented declines in reading and math. And the new PISA results tell a tale of steady decline on Obama’s watch, following years of improving U.S. performance. I won’t claim that these results demonstrate the flaws in the Obama agenda, but they sure don’t help make its case.
Two, Obama’s spinners have spent a lot of time talking up the steady increase in the U.S. graduation rate. President Obama delivered a widely covered speech this fall to celebrate that the graduation rate had climbed to 83% in 2014-15, up about four points from where it stood in 2010-11. The thing is, if more students are graduating high school even as they are faring worse on reputable assessments, it raises questions about just what those graduation rates mean. After all, diplomas are just pieces of paper—they don’t necessarily mean that students have mastered essential knowledge or skills. If a push to get students to graduate means schools are lowering the bar, turning a blind eye, or finding ways to drag them across the finish line, then those graduation rate boosts aren’t actually a cause for celebration.
Three, I often wish people were a little more reticent about racing to insist that the latest round of test results or graduation rates prove this or that. Much of the fevered discussion of the PISA results suffers from a pretty big flaw—which is that most observers don’t really understand what these international tests measure. That makes it difficult to know what one ought to make of the results. As the Brookings Institution’s Tom Loveless has observed, PISA is a test that “assesses whether students can apply what they’ve learned to solve ‘real world’ problems.” In the case of math, Loveless explains, “The PISA math assessment is based on a philosophy known as Real Mathematics Education (RME), championed by the Freudenthal Institute in the Netherlands. Jan de Lange of the Freudenthal Institute chairs the PISA expert group in mathematics. RME’s constructivist, problem solving orientation is controversial among mathematicians.” Does this mean that one should look askance at the PISA findings? Does it make them more valuable? Reasonable people can disagree, but it’s useful to know what tests are measuring when we’re throwing their numbers around as evidence about educational policy or practice.
Let me be clear— I’m not saying that a given set of test results prove that Obama’s educational efforts have been misguided. I am saying that the Obama administration has been disingenuous when it has tried to use convenient data points to make its case. The reality is that these kinds of national results are so far removed from the regulatory minutiae of federal education policy, and the meaning of these test results can be so opaque, that everyone would be well-served if they spent less time claiming this or that test result or graduation rate proved that a grand federal agenda was the right one.
—Frederick Hess
Frederick Hess is director of education policy studies at AEI and an executive editor at Education Next.

OECD/PISA 2015, countries overview

What does the share of top performers and low achievers look like in your country?

Samuel Pessoa: Professor brasileiro é contrário ao que deu certo em Cuba na educação


Caro colega, no creo que el problema esté solamente en el profesor brasilero (o latinoamericano); en ese entonces Cuba formuló una política de Estado que priorizó una educación de calidad para todos. Brasil y tantos otros en esta Región, no lo han hecho. Sin ella, no hay esfuerzos sectoriales que puedan dar cierto.

Jorge Werthein e Martin Carnoy:  Cuba: Mudança Econômica e Reforma Educacional 1955-1974, Brasiliense, S.P., 1984
Carlos Garcia Rawlins/Reuters
Schoolchildren wave Cuban flags as others carry a portrait of Cuba's late President Fidel Castro as the caravan carrying Castro's ashes arrives in Santiago de Cuba, Cuba, December 3, 2016. REUTERS/Carlos Garcia Rawlins ORG XMIT: HRB07
Estudantes carregam bandeiras de Cuba e retrato de Fidel

A morte de Fidel Castro é momento oportuno para a avaliação dos impactos dos mais de 50 anos de ditadura no país.
Os que apoiam o regime argumentam que os ganhos sociais mais do que compensam os custos de redução de liberdade.
Sem entrar no complexo debate sobre a possibilidade de negociar ou não a liberdade nesses termos, aqueles que são seduzidos por suas conquistas sociais precisam se lembrar de que Cuba, já no período anterior à revolução, apresentava indicadores sociais muito melhores do que a média da América Latina.
A renda per capita em 1955 era 27% da renda americana quando a média da América Latina (AL) era de 15%; a mortalidade infantil era de 33 por mil nascidos, ante 105 na AL e 26 nos EUA; a expectativa de vida ao nascer era de 64 anos, ante 50 na AL e 69 nos EUA; e a taxa de analfabetismo era de 21%, ante 42% na AL e 1% nos EUA.
Diante do início favorável, as conquistas da revolução empalidecem. Tudo indica que Cuba poderia ter, organizada como economia de mercado com democracia política, trajetória melhor ou igual à da Costa Rica. O custo em consumo não foi pequeno: hoje o consumo per capita de Cuba é 72% do observado em 1955 e aproximadamente 50% do consumo per capita da Costa Rica.
Evidentemente esse custo precisa ser ponderado com a melhor igualdade. O coeficiente de Gini (o índice varia de 0 a 1; quanto maior, mais desigualdade) para Cuba é da ordem de 0,3, ante 0,4 para Costa Rica. O custo de perda de eficiência econômica e de redução de liberdade em Cuba parece ser extremamente elevado para um ganho de 0,1 no índice de Gini.
Uma área em que os ganhos foram muito bons foi a educação. Apesar do início relativamente elevado, havia fortíssima desigualdade na distribuição da escolaridade. O mesmo não pode ser dito dos serviços de saúde, em que a desigualdade no acesso era menor na Cuba pré-revolução.
A revolução cubana conseguiu algo que a sociedade brasileira não tem conseguido: ofertar às crianças que nasceram em ambientes familiares culturalmente pobres o mesmo aprendizado daquelas que nasceram em famílias com melhor background cultural.
O livro de Martin Carnoy, professor da Universidade Stanford, publicado no Brasil em 2007 pela Fundação Lemann, apresenta os principais ingredientes para o sucesso do sistema público cubano.
Efeito colateral de uma sociedade sem mercados, é possível remunerar muito bem o professor em termos relativos, visto que os salários são em média muito baixos e o talento não é devidamente remunerado no mercado de trabalho cubano. Um professor em Cuba ganha um pouco menos do que um médico. Os melhores alunos do secundário escolhem ser professores.
O currículo é pouco extenso e é o mesmo para todas as escolas da ilha. A formação do professor é centrada em técnicas de transmissão de conhecimento ligadas ao currículo padronizado.
O professor é muito supervisionado pelo Estado, não pode faltar e, se o desempenho dos alunos não for bom, poderá perder a posição.
Há poucas interrupções na aula e na maior parte do tempo os alunos trabalham em grupo sob supervisão do professor resolvendo problemas e questões. Não se perde muito tempo copiando coisas do quadro.
Infelizmente, em geral os sindicatos de professores das redes públicas brasileiras apoiam aumentos de salários, mas são contrários a todas as demais iniciativas que deram certo em Cuba. 

Claudia Costin: Nos novos resultados do PISA, por que vamos mal em ciências?


Folha de S.Paulo

Bruno Santos/Folhapress
São Paulo, SP, BRASIL-05-05-2016: Estudantes pré vestibular do cursinho Anglo em sala de aula. (Foto: Bruno Santos/ Folhapress) *** ESPECIAIS *** EXCLUSIVO FOLHA***
Aluno assiste a aula e faz anotações
A cada três anos, a OCDE, organizadora dessa avaliação, foca uma área diferente entre três ênfases possíveis: leitura, matemática e ciências. Normalmente acrescenta questionários para obter dados para melhor analisar os sistemas educacionais. Na edição de 2015, a área priorizada foi ciências, ou, especificamente, letramento científico.
É importante entender o que é letramento científico para a OCDE, ou o que ela considera importante que um aluno de 15 anos saiba em ciências. A resposta é simples: pensar cientificamente, utilizar conceitos em problemas reais, entender como se organizam experimentos ou processos científicos– em outros termos, desenvolver uma mente investigativa, base para todas as ciências.
O Brasil avançou nos últimos anos em assegurar que os jovens dessa idade estejam na escola. Setenta e um por cento dos jovens na faixa dos 15 anos estão matriculados a partir do 7º ano, 15 pontos percentuais a mais que em 2003, numa ampliação impressionante de escolarização.
Isso poderia trazer uma queda na aprendizagem desses jovens, o que não ocorreu. Seria algo a ser celebrado, mas a oitava economia do mundo não pode comemorar um desempenho tão baixo.
Na verdade, não vamos avançar enquanto não investirmos em duas linhas de ação: atrair mais talentos para a profissão de professor e formá-los adequadamente por um lado, e, por outro, rever currículos e pedagogia, de forma a ter condições de ensinar os alunos a pensar cientificamente, não apenas a memorizar fórmulas e conceitos.
Na primeira linha, cabe melhorar os salários dos professores, valorizá-los, para que os melhores alunos de ensino médio desejem cursar pedagogia e licenciaturas. Tornar as faculdades de educação mais profissionalizantes, como são as de engenharia ou medicina e resgatar as didáticas específicas, inclusive a de ciências.
Na segunda, usar no trabalho com a Base Comum Curricular para diminuir tópicos e disciplinas e priorizar a utilização de conceitos das ciências em problemas reais. Gastar tempo ensinando aos alunos a solução colaborativa de problemas (tema enfocado no Pisa 2015) em que se utilizem conhecimentos das ciências.
Há muito o que se fazer e certamente chegamos num ponto em que a inação destruirá nosso futuro. Resta agora começar, com coragem, a enfrentar os desafios de uma escola que não funciona. 


Ensino reprovado


EDITORIAL

09/12/2016 ,Folha de S.Paulo

O Brasil tem feito esforços na área educacional que não se traduzem em melhoria da qualidade do ensino médio e, por consequência, da aprendizagem dos jovens.
A mais recente evidência dessa defasagem foi expressa pelos resultados de 2015 do Pisa, exame aplicado a cada três anos pela OCDE (organização que reúne países desenvolvidos e alguns emergentes), divulgados nesta semana.
O desempenho dos estudantes brasileiros de 15 anos em leitura, ciências e matemática —as três áreas avaliadas— não progrediu. Mais grave ainda, o Brasil ficou estagnado em um patamar de desempenho educacional muito baixo.
Num universo de 70 países avaliados, estamos entre os dez piores em matemática e ciências. Em leitura, na 59ª posição.
O rendimento medíocre ocorreu a despeito de um aumento do gasto por aluno de 6 a 15 anos, que representava 32% da média da OCDE em 2012 e, no ano passado, atingiu 42%.
Há quem argumente que um dos grandes problemas do Brasil ainda é o investimento relativamente baixo por estudante, em comparação ao realizado por países ricos.
No quadro de grave recessão em que o país se encontra, seria ilusório imaginar aportes vultosos em educação e mesmo em outras áreas essenciais, como saúde e infraestrutura. Pode-se avançar muito, todavia, na eficiência dos investimentos.
Uma comparação com o Chile evidencia essa constatação. O país vizinho tem um gasto por aluno muito próximo ao brasileiro (equivalente a 44% da média da OCDE). Seus alunos de 15 anos, no entanto, estão 19 posições à frente dos nossos no ranking de Pisa de ciências.
Outros países latino-americanos, como México, Colômbia e Uruguai, conseguiram fazer seus estudantes avançarem mais que os brasileiros, gastando menos.
A reforma do ensino médio, em tramitação na Câmara dos Deputados, embora encaminhada de maneira discutível, é um passo na direção correta, bem como a Base Nacional Comum Curricular, que deixa claros os objetivos e conhecimentos a serem alcançados a cada etapa.
Falta ainda ao país tomar outras medidas que promovam o aprimoramento dos professores. Além de investir em reciclagem e continuar a valorizar a remuneração (cuja média se elevou, mas ainda não é a ideal), é preciso implementar um sistema de incentivos. Atingir metas de desempenho estabelecidas e avançar no aperfeiçoamento profissional são méritos que devem ser reconhecidos e premiados.